Transcrevendo Sentimentos

Oi oi gente, tudo bem com vocês?

Quem me conhece sabe o quão apaixonada por poesia eu sou e eu nunca me canso de falar sobre isso. Então, mais uma vez o tema do post será essa forma de expressão tão maravilhosa.

Calma, não vou fazer aquele post de sempre. Para não ficar repetitivo decidi inovar. Ao invés de postar os textos eu vou postar alguns videos do canal TODA POESIA nos quais algumas pessoas interpretam poesias de autores conhecidos e desconhecidos(estes merecem a sua atenção).

Ver alguém interpretar uma poesia é ainda mais gostoso, o mix de expressões, gestos e intonações faz toda a diferença no sentimento transmitido.

Espero que vocês gostem dessas poesias tanto quanto eu gostei!

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Eu juro que tentem postar só 10 videos, mas gente, eu não tenho emocional para deixar de lado nenhum desses poemas!

Espero que tenham gostado!

Beijos, Bia

A Louca dos Poemas

Depois de muito tempo, o blog voltou! Não tem jeito melhor de voltar a postar do que falando de poesia, em especial, do incrível Drummond.

Quando comecei a ler poemas fui atrás de vários escritores para saber qual era meu tipo preferido, e depois de um bom tempo, sem dúvida alguma meu preferido é Carlos Drummond de Andrade. Falecido em 1987, ele escreveu sobre inúmeros temas, cada um de uma maneira diferente, mas todos lindos.

Vou começar por um clássico, José, que muita gente pensa que conhece mas só sabe o começo, e ele é maravilhoso! Então ai vão alguns dos meus poemas preferidos.

José

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, Você?
Você que é sem nome,
que zomba dos outros,
Você que faz versos,
que ama, proptesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio, – e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse,
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você consasse,
se você morresse….
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja do galope,
você marcha, José!
José, para onde?

Por quê?

Por que nascemos para amar, se vamos morrer?
Por que morrer, se amamos?
Por que falta sentido
ao sentido de viver, amar, morrer?

Congresso Internacional do Medo

Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio, porque este não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte.
Depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas

Ausência

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

Quadrilha

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para o Estados Unidos, Teresa para o
convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto
Fernandes
que não tinha entrado na história.

 

E por fim um que eu amo em especial, toda vez que leio ele é como se eu recebesse um abraço. Me conforta, me anima e me traz paz…

Não Se Mate

Carlos, sossegue, o amor
é isso que você está vendo:
hoje beija, amanhã não beija,
depois de amanhã é domingo
e segunda-feira ninguém sabe
o que será.

Inútil você resistir
ou mesmo suicidar-se.
Não se mate, oh não se mate,
reserve-se todo para
as bodas que ninguém sabe
quando virão,
se é que virão.

O amor, Carlos, você telúrico,
a noite passou em você,
e os recalques se sublimando,
lá dentro um barulho inefável,
rezas,
vitrolas,
santos que se persignam, .
anúncios do melhor sabão,
barulho que ninguém sabe
de quê, praquê.

Entretanto você caminha
melancólico e vertical.
Você é a palmeira, você é o grito
que ninguém ouviu no teatro
e as luzes todas se apagam.
O amor no escuro, não, no claro,
é sempre triste, meu filho, Carlos,
mas não diga nada a ninguém,
ninguém sabe nem saberá.

 

Beijos, Bia